O LOBISOMEM DA ESTRADA VELHA
Diz-se que, em uma cidadezinha do interior, havia uma estrada esquecida pelo tempo, conhecida apenas como Estrada Velha. Durante o dia, parecia comum: árvores tortas ladeando o caminho, o cheiro de terra molhada, e o canto distante dos pássaros. Mas, quando a noite chegava, a estrada ganhava outro rosto. Os moradores juravam ouvir passos pesados, uivos longos e arrastados que ecoavam pelas matas.
Numa dessas noites de lua cheia, três rapazes decidiram atravessar a Estrada Velha para cortar caminho até a festa da vila. Entre risadas e provocações, um deles comentou:
— Dizem que quem passa por aqui à meia-noite encontra o lobisomem.
Os outros riram, tentando disfarçar o arrepio que sentiam. O vento começou a soprar forte, fazendo as folhas secas dançarem pelo chão. Foi então que ouviram o primeiro uivo. Longo, desesperador. Não parecia vir de perto, mas a cada eco parecia se aproximar mais.
Um dos rapazes sugeriu voltar, mas já era tarde. Do meio da mata surgiu uma sombra enorme. Os olhos brilhavam em vermelho e os dentes reluziam com a luz prateada da lua. O coração dos rapazes disparou. O lobisomem estava ali, alto, com pelos escuros e garras que arranhavam o chão.
Eles correram sem olhar para trás, mas o som das passadas da criatura os perseguia, cada vez mais perto. Um deles caiu, e quando os outros se viraram para ajudá-lo, viram o lobisomem parado diante deles, respirando pesado, soltando um rosnado que parecia vir das entranhas da terra.
De repente, um sino distante da igreja da vila soou anunciando a meia-noite. O monstro, como se estivesse acorrentado ao tempo, recuou lentamente. Seus ossos estalaram, os pelos foram sumindo, e, diante dos rapazes apavorados, restou apenas um homem conhecido: o velho Antônio, morador da vila, sempre solitário e de olhos tristes.
Ele caiu de joelhos, envergonhado, murmurando:
— A maldição da lua… nunca me deixa em paz.
Os rapazes correram para a festa e juraram nunca mais usar a Estrada Velha. Até hoje, quando a lua cheia brilha forte sobre a cidade, ainda se ouvem os uivos que ecoam pela mata. E poucos têm coragem de descobrir se o velho Antônio descansa em paz… ou se sua maldição ainda o acompanha.
📖 Perguntas de Interpretação
1. Onde se passa a história do conto?
a) Em uma cidade grande e movimentada
b) Em uma cidadezinha do interior
c) No litoral próximo ao mar
d) Em uma fazenda abandonada
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2. Como a estrada era chamada pelos moradores?
a) Estrada Escura
b) Estrada da Lua
c) Estrada Velha
d) Estrada Sem Fim
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3. Qual era a aparência da estrada durante o dia?
a) Sombria e cheia de uivos
b) Com árvores tortas e canto dos pássaros
c) Sempre cheia de neblina
d) Com lobos passeando pelo caminho
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4. O que os rapazes ouviam quando passavam pela estrada de noite?
a) Cânticos de festa
b) Risadas de crianças
c) Passos pesados e uivos longos
d) O som do rio correndo
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5. Em que noite os rapazes resolveram atravessar a estrada?
a) Noite de lua cheia
b) Noite de tempestade
c) Noite de natal
d) Noite sem lua
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6. Como eram os olhos do lobisomem?
a) Verdes como esmeraldas
b) Brilhavam em vermelho
c) Escuros como carvão
d) Azuis como o céu
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7. O que fez o lobisomem recuar diante dos rapazes?
a) A chegada de um caçador
b) O som do sino da igreja à meia-noite
c) O fogo de uma tocha
d) O pedido de ajuda dos rapazes
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8. Quem era o lobisomem depois da transformação?
a) Um padre desconhecido
b) Um viajante de outra cidade
c) O velho Antônio, morador da vila
d) Um dos três rapazes
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9. O que o velho Antônio dizia sobre sua condição?
a) Que era apenas um sonho
b) Que a maldição da lua nunca o deixava em paz
c) Que era apenas uma brincadeira
d) Que tinha derrotado um monstro
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10. Qual o desfecho do conto?
a) Os rapazes enfrentaram e venceram o lobisomem
b) O lobisomem fugiu para a mata e nunca mais voltou
c) O velho Antônio foi reconhecido como o lobisomem
d) A estrada foi destruída pelos moradores
